Reforma trabalhista é tímida mas pode ajudar a reduzir informalidade

Muitos que defendem a (tímida) reforma trabalhista, o fazem porque sabem do quão custosa e prejudicial nossa antiquada legislação trabalhista tem sido.   É ela — com sua rigidez regulatória — que também condena milhares de pessoas a trabalhar em condições informais sem qualquer tipo de proteção. Veja no gráfico abaixo, a relação entre (uma…

Linguagem como tecnologia: preservar línguas?

Como economista tenho enorme dificuldade para entender essa preocupação de alguns com o desaparecimento de línguas (exceto daqueles que vivem de arqueologia linguística) e, portanto, a necessidade de “preservação” das mesmas. A língua materna é acidente geográfico, uma escolha que não fazemos. Tampouco é algo que parece ter alguma influência significativa na nossa personalidade —…

O caso United Airlines e o preço do (fim do) “overbooking”

O episódio da United Continental Airlines fez muita gente considerar que talvez a prática do overbooking devesse ser abolida. O overbooking permite que as empresas aumentem a taxa de ocupação dos voos. Abolí-lo significaria passagens mais caras. Vejamos, em uma conta bem “de padeiro”, quanto aproximadamente isso custaria aos passageiros.   HIPÓTESES – Tamanho da…

Os mitos da reforma da previdência

A Previdência é cara. O que chamamos de previdência é muito mais do que aposentaoria. Pode ser visto na verdade como um conjunto de seguros que protegem os trabalhadores contra eventos que, ainda que temporários, podem provocar uma perda salarial. Estão aí inclusos auxílio-doença, a licença-maternidade, auxílio-acidente e pensão por morte. Essa rede de proteção…

Gastos com educação e saúde: dois problemas de incentivo

O orçamento público brasileiro é bastante engessado, cheio de vinculações. Por exemplo, de acordo com a Constituição, o governo federal tem que gastar pelo menos 18% de sua receita em educação, enquanto que para estados e municípios esse valor é de 25%. Com a necessidade de realizar o ajuste fiscal, cogita-se quebrar essas vinculações. Há…

Que tipo de corrupto é pior: aquele que rouba para si ou aquele que rouba para o partido? – Parte 2

Há algumas semanas escrevi um post argumentando que corruptos que roubam para o partido (que chamarei de “bandidos ideológicos”) são piores para a sociedade do que aqueles que roubam para si (“bandidos não ideológicos”). Meu ponto era que, para um dado montante roubado hoje, a ineficiência corrente é igual para os dois tipos de corrupto.…

Sobre a (In) Eficiência do Setor Público: Uma história pessoal

Em 2010 paguei duplamente um imposto alfandegário. Não foi distração, mas insistência do funcionário que não aceitou uma simples transferência programada para o dia útil seguinte (era um sábado). Ele me disse para pedir restituição. Foi o que fiz.   A quantia não me fará rico. Tanto que só lembrava de ter esquecido. Mas eis…

Que tipo de corrupto é pior: aquele que rouba para si ou aquele que rouba para o partido?

A senadora Gleisi Hoffmann recentemente fez uma espécie de mea culpa, reconhecendo os erros do PT em entrevista ao UOL. Levantou uma discussão interessante, dizendo que as acusações a petistas são basicamente por interferência no processo eleitoral (leia-se dinheiro de corrupção para engordar o caixa de campanha do partido); e que é preciso separar esse…

Por que preços aumentam (ou não) em tragédias?

Está rodando o Facebook a imagem acima, que compara a reação dos comerciantes brasileiros e franceses às tragédias recentes dos dois países (rompimento da barragem em Mariana e ataques terroristas em Paris). É natural pensar que em momentos de tragédias e medo as pessoas corram para comprar mantimentos e estocar em suas casas, o que…