
Certa vez li um argumento (não me lembro onde) de que um processo hiperinflacionário carrega a semente da própria destruição. A ideia é que, se a impressão de moeda chegar a um ritmo muito elevado, novas cédulas não valerão quase nada. A demanda de moeda despencaria; as pessoas migrariam para outra moeda mais forte (por exemplo, o dólar) para escrever contratos e fazer suas transações mais corriqueiras. Como resultado, o governo não ganharia mais nada com a expansão de seu estoque de dinheiro. A moeda nacional se tornaria irrelevante.
A experiência da Venezuela traz um possível canal alternativo para o fim de uma inflação alta na marra, isto é, sem que o governo deliberadamente tome medidas nessa direção. O governo venezuelano está aumentando a quantidade de dinheiro em circulação a uma velocidade alucinante. E não consegue produzir tantas cédulas domesticamente, tanto pelo elevado volume, como pela falta de material para tal. A maior parte do dinheiro é, assim, produzida fora do país (veja aqui nessa reportagem do Wall Street Journal).
O problema é que estão faltando dólares para pagar os produtores estrangeiros da moeda venezuelana, como apontado por uma matéria recente da Bloomberg:
In a tale that highlights the chaos of unbridled inflation, Venezuela is scrambling to print new bills fast enough to keep up with the torrid pace of price increases. Most of the cash, like nearly everything else in the oil-exporting country, is imported. And with hard currency reserves sinking to critically low levels, the central bank is doling out payments so slowly to foreign providers that they are foregoing further business.
Será que isso forçaria o governo a imprimir menos moeda, colocando um freio na inflação? Não tendo como se financiar via emissão de moeda, teria que ajustar as contas públicas na marra também.
Um ponto importante: por que não lançar cédulas de maior denominação, diminuindo a necessidade de produzir tanta moeda? Isso seria, entretanto, um reconhecimento por parte do governo de sua incompetência, de que a inflação está totalmente fora de controle.
A consequência é que as pessoas precisam carregar cada vez mais notas para fazer transações corriqueiras, o que pode ser particularmente custoso. Da matéria do WSJ que mencionei acima:
While use of credit cards and bank transfers is up, Venezuelans have to carry stacks of cash as many vendors try to avoid transaction fees. Dinner at a nice restaurant can cost a brick-size stack of bills. A cheese-stuffed corn cake — called an arepa — sells for nearly 1,000 bolivars, requiring 10 bills of the highest-denomination 100-bolivar bill, each worth less than 10 U.S. cents.





Legal é pensar um pouco em como era antigamente.
As pessoas usavam feiras de escambo para realizarem trocas do que não queriam mais por outras coisas, e ainda saiam lucrando. Hoje vemos aterros imensos com coisas que podiam ser consertadas ou reaproveitadas, lixões amontoados de coisas e livros jogados fora ainda úteis.
Será que precisamos de papel moeda ? Ou poderíamos substituir a forma de comércio por outra forma mais dinâmica e que até poderia ser mais sustentável ? Acho legal as feiras onde existem trocas de roupas, artesanato, livros, e outros pelas necessidades do grupo ou comunidade. Uma boneca ou carrinho reformado, um livro recuperado, roupas customisadas. Uma nova visão pra Economia, numa época de escassez de recursos naturais.
Pra Pensar um pouco…